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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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Dólar cai para R$ 5,108 após Fed manter juros nos Estados Unidos

Dólar cai para R$ 5,108 após o Fed manter os juros nos EUA. Ibovespa recua 1,52%, enquanto petróleo sobe mais de 7% com tensão no Oriente Médio.
Notas de dólar

O dólar fechou em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,108, nesta quarta-feira (29), após o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%. A decisão era esperada pelos investidores, mas o tom considerado mais moderado do presidente da instituição, Kevin Warsh, contribuiu para a perda de força da moeda norte-americana no exterior.

Apesar do recuo no câmbio, a Bolsa brasileira terminou o dia no campo negativo. O Ibovespa caiu 1,52%, aos 173.885 pontos, pressionado principalmente pelas ações de bancos e pelo ambiente de maior aversão ao risco nos mercados globais.

As informações são da Reuters. O pregão também foi marcado pela alta expressiva do petróleo, que avançou cerca de 7% com o agravamento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Decisão do Fed influencia o câmbio

O dólar passou boa parte do dia oscilando próximo da estabilidade, enquanto os investidores aguardavam o anúncio do Federal Reserve. Por volta das 16h20, a moeda atingiu a mínima de R$ 5,09 e encerrou a sessão em R$ 5,108, segundo os dados divulgados.

Depois da confirmação da manutenção dos juros, o dólar perdeu força globalmente e ampliou a queda durante a entrevista coletiva de Kevin Warsh. Embora tenha reafirmado o compromisso do banco central com a meta de inflação de 2%, o presidente do Fed também destacou sinais recentes considerados positivos para o comportamento dos preços.

A avaliação do mercado foi de que o discurso teve tom menos duro. Ainda assim, a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, foi dividida. Nove integrantes votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.

Mesmo com a manutenção da taxa, o mercado continuou precificando uma elevada probabilidade de aumento dos juros na reunião de setembro. A divisão entre os dirigentes reforçou as incertezas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos.

No Brasil, o câmbio também foi favorecido pelo maior apetite por operações de carry trade, estratégia que busca aproveitar a diferença entre as taxas de juros de dois países. A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos torna esse tipo de operação mais atrativo.

A valorização do petróleo contribuiu para o movimento, porque tende a melhorar o fluxo de recursos para o Brasil, que é exportador do produto. Dados domésticos, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, ficaram em segundo plano durante o pregão.

Ibovespa recua, apesar da alta da Petrobras

O Ibovespa encerrou o dia em queda de 1,52%, com os bancos entre os principais responsáveis pela pressão sobre o índice. A cautela dos investidores também foi influenciada pelo cenário internacional e pelo aumento das tensões geopolíticas.

Em Nova York, o índice S&P 500 caiu 1,55%. O resultado refletiu a preocupação dos investidores com a possibilidade de novos aumentos dos juros nos Estados Unidos, mesmo após a decisão do Fed de manter a taxa na faixa entre 3,50% e 3,75%.

As ações da Petrobras, que estão entre as mais negociadas da Bolsa brasileira, limitaram parte das perdas do Ibovespa. Os papéis ordinários da estatal, que dão direito a voto em assembleias de acionistas, subiram 2,35%. As ações preferenciais, que têm prioridade na distribuição de dividendos, avançaram 1,92%.

A alta dos papéis acompanhou o movimento das cotações internacionais do petróleo, que tiveram forte valorização durante a sessão.

Petróleo sobe mais de 7% com tensão no Oriente Médio

O petróleo interrompeu uma sequência de quedas e registrou alta superior a 7% após a retomada dos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã. O aumento dos ataques e o risco de escalada militar em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo elevaram a preocupação dos investidores.

O barril do petróleo Brent para outubro, referência nas negociações internacionais, fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09. O tipo WTI, negociado no Texas e com contrato para setembro, subiu 6,56%, para US$ 84,46.

O movimento foi impulsionado pela intensificação dos ataques envolvendo forças norte-americanas e grupos apoiados pelo Irã. Declarações do presidente Donald Trump sobre uma resposta militar também contribuíram para o avanço das cotações.

Além das tensões geopolíticas, os preços receberam suporte da queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, em uma redução superior à esperada pelo mercado. A combinação entre o risco de interrupção do fornecimento e os dados sobre os estoques sustentou a forte alta da commodity.